Uma decisão recente do Tribunal do Trabalho trouxe alívio e reconhecimento a um servo do CAIXA Econômica, mãe de dois filhos com transtorno de espectro autista (TEA). O caso, julgado em São Paulo, concedeu ao funcionário o direito de trabalhar menos horas por dia, destacando a importância de proteger os direitos das famílias que enfrentam intensos desafios no cuidado de crianças com deficiência. A sentença representa não apenas uma conquista individual, mas um marco simbólico na luta por mais condições de trabalho humanas e inclusivas.
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Lei conquistada: Redução da jornada até 2036

A decisão do juiz Ivo Roberto Santarem Teles, do Tribunal do Trabalho, autoriza a redução de 25% da jornada diária do funcionário, que anteriormente trabalhava seis horas por dia. Com isso, ela poderá cobrar quatro horas e meia, pois será válida até o ano de 2036, quando o filho mais novo completar 18 anos.
Atualmente, os filhos do servidor têm 6 e 12 anos e requerem cuidados contínuos, apoiam terapias especializadas e monitoramento nas atividades cotidianas. De acordo com a decisão, o direito à redução baseia -se no reconhecimento das necessidades especiais do núcleo da família e na importância de garantir crianças com deficiência o monitoramento dos pais necessário para o seu desenvolvimento.
O pedido inicial era mais amplo
No processo, o funcionário da CAIXA solicitou uma redução de 80% na jornada. O juiz, no entanto, escolheu conceder 25%, considerando essa porcentagem suficiente para equilibrar a rotina profissional do servidor com as demandas de cuidados intensivos para as crianças. Para o magistrado, a decisão representa “um avanço significativo na possibilidade de conciliar trabalho e o cuidado exigido por crianças”.
A sentença reconhece que, embora não exista uma legislação federal que tenha tratado diretamente da redução da jornada para servos que são pais de pessoas com deficiência, é possível aplicar regras de proteção de forma anogada.
Fundação baseada em princípios constitucionais e internacionais
Na ausência de regulamentação específica, o juiz baseou sua decisão em um conjunto de disposições legais que defendem os direitos de crianças e pessoas com deficiência. Entre os fundamentos estão os Estatuto da criança e adolescente (ECA)o Estatuto de pessoas com deficiência e convenções internacionais sobre os direitos das pessoas com deficiência, ratificadas pelo Brasil.
Essas regras, de acordo com o magistrado, estabelecem o dever do Estado e das instituições de promover medidas que garantem o bem-estar, a inclusão e a proteção de famílias em situações vulneráveis.
O dinheiro deve cumprir uma decisão sob penalidade de multa
A sentença estabelece que o CAIXA ECONOMICA Federal tem oito dias úteis para reajustar o dia de trabalho do funcionário. Se a instituição não cumprir a ordem judicial, poderá ser multada em R $ 300 por dia.
Até o momento da publicação, a CAIXA ainda não falou oficialmente sobre o caso, mas o espaço permanece aberto para esclarecimentos.
Um precedente relevante para pais e mães de pessoas com deficiência
A decisão do tribunal pode se tornar um precedente importante para outros funcionários públicos ou trabalhadores em geral que enfrentam situações semelhantes. Embora ainda não exista uma política ampla que contempla a flexibilidade da jornada para os pais de pessoas com deficiência, casos como esse ponto para um possível caminho de consciência do judiciário e o avanço dos direitos sociais.
Especialistas em direito trabalhista e inclusão afirmam que a medida é consistente com o princípio da dignidade humana e o dever de garantir oportunidades iguais para todos os cidadãos – inclusive no ambiente de trabalho.
Inclusão e cuidado: o desafio da conciliação

Cuidar de uma criança com TEA requer dedicação contínua, envolvimento em terapias multidisciplinares, participação ativa na vida escolar e acompanhamento médico frequente. Em muitos casos, um dos responsáveis precisa reorganizar toda a vida profissional para atender às demandas da criança.
O relaxamento da jornada, portanto, não é um privilégio, mas uma medida de justiça social. Reconhecer que a maternidade, especialmente em contextos de terapia intensiva, requer apoio institucional é um passo necessário em direção a uma sociedade mais empática e inclusiva.
Caminho aberto para mudanças legislativas?
O caso também reacende o debate sobre a criação da legislação que regula a redução da jornada para os pais de pessoas com deficiência. Atualmente, algumas categorias de funcionários públicos federais ou estaduais alcançam esse direito com base em decisões judiciais ou regras internas de seus órgãos, mas não há regra unificada ou clara.
As organizações da sociedade civil e os defensores dos direitos das pessoas com deficiência foram pressionados por mudanças legais que garantem esse tipo de benefício de maneira mais ampla e automática, sem a necessidade de judicização.
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